No final do ano passado, o Ministério da Saúde divulgou uma preocupante estatística: nos últimos 10 anos, o número de novos casos de AIDS entre jovens que possuem de 15 a 24 anos cresceu 32% no Brasil.

Isso levou o Ministério da Saúde à fazer uma campanha inusitada e inteligente de prevenção à aids e DSTs neste Carnaval: decidiu ir onde estão os jovens em vez de veicular alertas nos meios de comunicação tradicionais. Para isso, o órgão criou dois perfis fake em aplicativos de paquera, o Tinder e o Hornet.

O Tinder é voltado para o público de todas as preferências sexuais enquanto o Hornet é hoje o app mais popular para o público gay masculino. Os perfis falsos atiçavam usuários para sexo sem camisinha. Ao iniciar a conversa as pessoas descobriam se tratar de uma ação de conscientização do Ministério sobre o sexo seguro.

Claro que os perfis já foram desativados, e eram de homens e mulheres jovens, na faixa dos 25 anos de idade. Eles usaram fotos de pessoas atraentes, que dizem estar atrás de sexo casual, mas sem o uso de camisinha. Uma das contas falsas era de uma mulher chamada Alana, que diz em sua descrição: “quero conhecer homens e mulheres para sexo sem compromisso e, de preferência, sem camisinha“.

Além disso, a ação também teve uma parte conduzida no “mundo real“, onde programas de conscientização criados em bares e clubes noturnos atingiram cerca de 2 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde. “Hoje, não podemos falar de grupo de risco“, explica o ministro da Saúde, Arthur Chioro. “Todas as pessoas com vida sexual ativa são vulneráveis. Daí a importância de usar a camisinha e se testar“.

Tinder se irrita com Ministério da Saúde

O Tinder não ficou feliz com a campanha. A responsável pela comunicação corporativa do Tinder publicou em seu Twitter que iria providenciar a remoção dos perfis falsos que faziam parte da campanha, por conta do “uso indevido” para fazer propaganda.

O Ministério da Saúde se defende usando as próprias regras do Tinder, que proíbe o uso comercial do aplicativo – para o MS, a campanha teve uso institucional, o que não seria um comprometimento das políticas de uso do app.

Um posicionamento super careta para um app moderninho como o Tinder, né?
O app Hornet esclareceu ao The Verge que não permite que sejam feitas personificações dentro do seu app, nem autoriza publicidade, mas que no caso dessa campanha fará uma exceção e não vai retirar os personagens falsos do ar. E ainda melhor – o Hornet quer trabalhar em parceria com o Ministério da Saúde para melhorar o alcance da campanha, que os responsáveis pelo app consideram “uma ótima iniciativa

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